Dados publicados pela Organização Internacional do Trabalho neste mês de agosto mostram que o desemprego entre os jovens atinge 14,9% da população, que varia de 18 a 29 anos. Esse é o recorde mundial segundo a entidade. O que também é preocupante é a alta taxa de jovens que nem estudam e nem trabalham, que está em 23%.

Essa divulgação descreve todas as classes sociais do Brasil, porém analisando a situação real dos jovens das periferias isso nos assusta ainda mais. As empresas se predispõem a contratar esses funcionários sempre sob o regime de estágio, o que é uma barreira para essa população na qual a adesão às faculdades particulares ainda é muito baixa, apesar das cotas terem aumentado.

Com a evasão escolar causada pela pandemia de Covid-19 nesses últimos dois anos, o acesso às Faculdades Federais foi brutalmente impactado na periferia, pois a população se viu sem recursos para os estudos, como computadores, conexão de internet ou até mesmo, celulares sem acesso aos aplicativos que estavam sendo utilizados naquele momento de forma remota ou mista.

Geralmente, cabe algumas exceções, os jovens periféricos iniciam suas carreiras no subempregos, pois precisam auxiliar no sustento de sua família de forma prematura. Em minhas experiências anteriores em startups sociais, vi que a maioria dos jovens não tinham dinheiro para pagar o ônibus para ir até o trabalho ou até mesmo marmita para almoçar, dividiam um cômodo com famílias numerosas.

Acredito que as empresas precisam incentivar e valorizar os jovens, a apostar no potencial, investir nos treinamentos e propiciar benefícios para que eles possam ter a inserção no mercado de trabalho com empregos que dão acesso ao que em casa eles não teriam.

Com esse pensamento, sou mentora da Li.belo, projeto idealizado pela Fabi Baraldi materializado através de um curso sobre o meio da propaganda, que atende e pretende capacitar jovens a terem uma visão global de todas as vertentes da publicidade, criação, produção, mídia e conteúdo. O projeto é para quem busca oportunidade, mas tem pouco acesso, eles serão orientados e indicados para o mercado de trabalho, em cargos com posições júniores.

O que falta na vida desses jovens é a chance de serem enxergados, de serem lapidados e de terem o crescimento pessoal e profissional necessário para encarar os desafios do mercado de trabalho. É preciso que as empresas devolvam ao cenário através do compartilhamento de conhecimento que adquiriram anteriormente, para que o círculo do aprendizado não acabe jamais.


*Dani é inspiração para mulheres negras com sua trajetória de trabalho. Executiva de mídia com 20 anos de experiência trabalhando em empresas de mídias internacionais gerenciando escritórios na América Latina. Trabalhou metade de sua carreira em grandes agências de publicidade, como Havas, Isobar e DDB e outra metade em fornecedores de mídia gerenciando grandes estruturas comerciais.

Por Dani Benoit*

POR: Alma 360

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